Relacionamentos não começam apenas quando duas pessoas se encontram. Cada uma chega carregando sua própria história: as primeiras experiências de amor, a forma como aprendeu a ser reconhecida, o lugar que ocupou em sua família, seus medos, desejos e as maneiras que encontrou para conseguir e preservar o amor do outro.
Por isso, algumas dificuldades que aparecem nos relacionamentos amorosos podem dizer também sobre a relação que construímos conosco.
Há mulheres que percebem que precisam constantemente da validação do outro para se sentirem seguras. Outras têm dificuldade de estabelecer limites, sentem culpa ao priorizar os próprios desejos ou permanecem em relações nas quais pouco a pouco deixam de se reconhecer.
Às vezes, o relacionamento termina, mas determinadas formas de amar continuam se repetindo.
Quando falamos em autoestima, é comum pensarmos em confiança, aparência ou em simplesmente “aprender a se amar”.
Pela psicanálise, a questão pode ser mais complexa.
A maneira como uma pessoa se enxerga não nasceu pronta. Ela foi sendo construída também através das relações que viveu, dos olhares que recebeu, das expectativas colocadas sobre ela e das formas que encontrou para ser amada e reconhecida.
Por isso, compreender a autoestima pode envolver perguntas como:
Quanto do seu valor depende do olhar do outro?
O que acontece quando alguém não corresponde às suas expectativas?
Por que dizer não pode provocar tanta culpa?
O que você acredita que precisa oferecer ou sacrificar para ser amada?
Quem você é quando não está tentando corresponder ao que esperam de você?
A análise não oferece uma fórmula para ter relacionamentos melhores ou uma lista de comportamentos que precisam ser eliminados.
O trabalho é compreender a história singular que sustenta determinadas formas de amar, escolher, desejar e se relacionar.
Ao longo desse processo, torna-se possível reconhecer repetições, questionar lugares que pareciam naturais e compreender por que algumas relações despertam sentimentos e comportamentos que, racionalmente, muitas vezes já sabemos que nos fazem sofrer.
Não se trata de aprender a nunca precisar do outro. Somos constituídos através das relações.
Talvez a questão seja poder se relacionar sem precisar desaparecer para que o outro permaneça.
Meu trabalho clínico é voltado principalmente para mulheres e atravessa questões relacionadas a relacionamentos, autoestima, identidade, dependência emocional, conflitos familiares e repetição de padrões.
Os atendimentos são realizados online e partem da história e das questões particulares de cada pessoa.
Conheça como funciona a psicanálise online
No texto “Supereu feminino e o amor”, aprofundo algumas questões sobre amor, desejo, validação e as exigências dirigidas às mulheres a partir da teoria psicanalítica.
Leia: Supereu feminino e o amor