E como livramos de sentimentos? De várias maneiras, mas vou te dar alguns exemplos.
Por algum motivo uma pessoa sente raiva da outra, se sente ali frustrada por uma resposta que recebeu, por não ter uma vontade atendida, e essa pessoa é tomada pela raiva. A raiva por ser um sentimento negativo, gera um mal-estar então desconhecido e insuportável para essa pessoa imatura, que diante do conflito responde com violência. Ela não para para pensar o porquê de estar com raiva, o que a faz se sentir assim, ela simplesmente solta a raiva na outra pessoa.
Um exemplo clássico: o time de futebol perdeu, o adversário vem fazer uma chacota, a pessoa vai e responde aquilo com um soco no rosto do outro.
Outro modo é a pessoa que se sente culpada pelo que fez, o sentimento de culpa gera angústia, mal-estar. E então, antes mesmo de ponderar o que está sentindo, se sua atitude foi certa ou errada com a pessoa, já se coloca ali em local de pedir desculpas.
Exemplo: uma pessoa pede que a outra faça determinado favor, e essa pessoa nega. Mas ao falar não é tomada por recriminações internas que a levam a ficar remoendo, antes mesmo de ponderar sua escolha ela vai atrás de quem lhe pediu o favor, se justifica, pede desculpas e pode até abrir mão do limite que impôs, para ceder ao outro e não precisar lidar com o mal-estar da culpa.
Mas um exemplo: Ao se relacionar amorosamente com uma pessoa, a pessoa se percebe na angústia de gostar de alguém, e acima de tudo no medo de ser trocada, o ciúmes bate na porta, e o mal-estar que gera a insegurança faz a pessoa se afaste, busque se relacionar com outras tantas pessoas para não se sentir vulnerável.
Ou um clássico, agora dos ansiosos: quando por algum motivo a pessoa começa sentir os primeiros sintomas de uma crise de ansiedade, a pessoa corre e toma seu remédio de SOS, que a anestesia. Ela não busca entender o que está sentindo, o que está vivenciando, foge dos sentimentos, dos pensamentos, de si.
A fuga é uma constante nas pessoas emocionalmente imaturas, pois o sentimento de quase “morte”, de eu não dou conta, de que vai colapsar, faz com que a pessoa duvide de sua força para encarar esses sentimentos. Isso vem, muita das vezes, de uma infância onde não se teve amparo suficiente para lidar com os seus sentimentos. A criação não foi suficientemente boa, como diz Winnicott, e essa falta de amparo e segurança na infância, faz com que a pessoa, quando vivência emoções negativas, não consiga olhar para elas como um adulto que é e analisar com responsabilidade o que está sentido.