Estava ouvindo um podcast com o Clóvis de Barros Filho, um grande professor, e eis que ele me solta essa frase. (Não só essa como tantas outras que nos fazem pensar).
“Vincular a felicidade ao amanhã é condenar-se à infelicidade permanente e eterna”.
E resolvi trazer para você. Quantas vezes você disse que no dia que conseguir tal coisa vai se sentir bem? Quando tiver X coisas vai poder descansar? Quando estiver com Y idade vai viajar? Que precisa fazer isso e aquilo para chegar naquele outro lugar, para então se sentir realizada?
Quantas vezes você retarda sua felicidade esperando a hora certa? Quantos passos programados, calculados, para chegar no grande e importante feito? Quais desses passos fazem sentido para você?
Como disse o professor, tão sabiamente, esperar que a felicidade chegue só amanhã é viver a infelicidade. É no processo que se busca felicidade, é no hoje que se deve buscar satisfação, pois é o hoje que você tem. Amanhã é esperança e não certeza!
Sonhar é preciso, estipular passos para o que deseja é necessário, mas a reflexão que quero fazer é o que você está fazendo hoje, para se realizar amanhã, é algo que te faz feliz hoje? Minimamente?
No podcast que me inspirou esse texto, o professor aponta que muitos na academia, não dão aula por prazer, mas para que tenham destaque, tempo de cadeira, para que daqui alguns anos tenham um cargo de maior relevância ou importância, então no ato de dar aula não há bem-estar ou satisfação.
Toda vez que sento para estudar, quero me tornar uma psicanalista melhor, pois tenho planos para meu futuro, mas também tenho felicidade em me desafiar, em aumentar meu conhecimento, em compreender e destrinchar tantos textos e visões de outros psicanalistas e pensadores. Me encanto com o que aprendo, com o que vivencio na clínica, quando a teoria e prática se encontram. Não vivo o hoje porque tenho que chegar ao futuro que sonho, aproveito o hoje que sei que me levará ao futuro que almejo e isso me traz alegria e prazer.
Outro exemplo que o professor usa é do livro de Machado de Assis (ah meu autor favorito!), onde a obrigação de se ler a obra, para fazer o vestibular, para entrar na faculdade, para cursar o que deseja, para se tornar o profissional… e por ai vai, tira a beleza de aproveitar a obra. Tira o prazer de ler algo bom, de questionar porque foi escrito daquela maneira, de se emaranhar no enredo, de pensar em cada personagem.
Hoje vivemos a obrigação de chegar em determinado patamar, de “ser alguém”, de “dar certo”, de “ter sucesso”, e o agora é esquecido. Aproveitar o que se tem não é uma opção, tirar prazer das pequenas coisas, do processo, nem é cogitado.
E nessa correria de viver para o futuro, você já se perguntou onde está? O que você vive, é só mais um elemento, um item da sua lista, para no futuro você ter o que deseja? O que na sua caminhada te traz alegria para amenizar o peso da vida? Qual o processo escolheu viver e o que ele tem te cobrado?
Você tem buscado a felicidade em um futuro programado ou aproveitando as nuances do processo que escolheu?