Às vezes, olhamos para relacionamentos diferentes e percebemos algo desconfortavelmente familiar entre eles.
As pessoas mudam. As circunstâncias mudam. Nós mesmas podemos acreditar que estamos escolhendo diferente. Ainda assim, certos sentimentos, conflitos e lugares que ocupamos nas relações parecem retornar.
Pode ser a sensação de precisar conquistar o amor de alguém. O medo constante de ser abandonada. A dificuldade de colocar limites. A escolha recorrente por pessoas emocionalmente indisponíveis. Ou até a percepção de que, mais uma vez, você deixou seus próprios desejos em segundo plano para sustentar uma relação.
Quando isso acontece, é comum surgir a pergunta:
“Por que eu faço isso de novo, se já sei que me faz sofrer?”
Reconhecer racionalmente um padrão é importante, mas nem sempre é suficiente para deixar de repeti-lo.
Isso acontece porque nossas escolhas não são feitas apenas por aquilo que sabemos conscientemente.
Ao longo da vida, construímos maneiras de amar, buscar reconhecimento, lidar com a ausência, reagir à rejeição e ocupar determinados lugares nas relações. Algumas dessas formas podem se tornar tão familiares que continuamos retornando a elas mesmo quando nos fazem sofrer.
Na psicanálise, a repetição não é compreendida simplesmente como falta de força de vontade ou incapacidade de “aprender com os próprios erros”.
A pergunta deixa de ser somente:
“Por que você não escolhe diferente?”
e passa a incluir:
“O que existe de tão familiar nessa escolha?”
Nem tudo aquilo que reconhecemos como amor foi necessariamente uma experiência de cuidado, segurança ou reciprocidade.
Nossas primeiras relações também participam da maneira como aprendemos a reconhecer o amor e a nos posicionar diante dele.
Por isso, algumas situações podem provocar uma sensação de familiaridade mesmo quando conscientemente desejamos algo completamente diferente.
Isso não significa que estamos condenadas a repetir nossa história.
Significa que, para construir outras possibilidades, talvez seja necessário primeiro compreender aquilo que continua nos levando de volta ao mesmo lugar.
A análise oferece um espaço para que essas repetições possam aparecer não apenas como acontecimentos isolados, mas como parte de uma história.
Ao falar sobre seus relacionamentos, escolhas, medos, desejos e vínculos, torna-se possível começar a reconhecer aquilo que se repete e investigar que função determinadas formas de se relacionar assumiram ao longo da vida.
A proposta não é encontrar alguém a quem culpar pelo presente nem receber uma fórmula para escolher “a pessoa certa”.
É ampliar a possibilidade de perceber aquilo que participa das suas escolhas para que elas não precisem continuar acontecendo apenas no automático.
Compreender uma repetição não apaga a história. Mas pode mudar o lugar que ela ocupa nas escolhas que ainda estão por vir.
Meu trabalho clínico é voltado principalmente para mulheres e atravessa questões relacionadas a relacionamentos, autoestima, dependência emocional, identidade, conflitos familiares e repetição de padrões.
Os atendimentos são realizados online e partem da história singular e das questões de cada pessoa.
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