Análise é para você?
Será que você deve fazer análise? Será que a psicanálise é a melhor abordagem para você?
Vejo esse questionamento em muitos fóruns e redes sociais, e a resposta é mais complexa do que parece.
É natural ter medo de “errar” na escolha do profissional ou da abordagem, perder tempo ou investir dinheiro em algo que talvez não funcione. Mas, ao mesmo tempo, como garantir que a psicanálise será a melhor escolha para você?
Freud apresentou, em seus estudos, o conceito de transferência. Ao longo do tempo, esse conceito também passou a ser reconhecido e estudado por diferentes abordagens da psicologia, cada uma a partir de sua própria compreensão.
De forma bem resumida, a transferência acontece quando o analisando direciona ao analista sentimentos e expectativas construídos em outras relações importantes da sua vida.
É justamente na transferência que muitos aspectos importantes da maneira como nos relacionamos podem aparecer dentro da própria análise. Sentimentos, expectativas, medos e formas de estabelecer vínculos encontram ali um espaço para serem percebidos e trabalhados.
Esses sentimentos são, em grande parte, inconscientes. Ou seja, você não percebe exatamente o que está acontecendo, mas pode sentir em relação ao analista emoções que remetem a outras pessoas e relações importantes da sua história. Às vezes, aparecem como desconfiança ou raiva. Outras vezes, como carinho, admiração ou sensação de acolhimento.
Quem nunca ouviu alguém dizer: “Minha analista parece uma amiga”, “É como uma mãe”, “Lembra minha avó”...? Isso acontece com mais frequência do que imaginamos.
Na psicanálise, a transferência ocupa um lugar central no processo. Por isso, mais do que escolher uma abordagem apenas pela teoria, também importa observar a relação que você consegue construir com o profissional que está à sua frente.
Na minha história como analisanda — e continuo sendo até hoje! — percebi que esse vínculo sempre teve um peso importante na minha decisão de permanecer ou não com um profissional.
Comecei a fazer análise sem nem saber direito o que era psicanálise ou como um psicanalista trabalhava. E, para ser sincera, odiei.
Pessoalmente, não gosto de profissionais muito silenciosos e não consegui me identificar com a analista que me atendia naquela época.
Quando decidi me tornar psicanalista, tive essa experiência como uma referência do tipo de profissional que eu não gostaria de ser. Isso não significa que ela fosse uma má profissional. Apenas não funcionava para mim.
Depois dela, passei por outros analistas até encontrar aquela com quem realmente consegui construir um vínculo. Mais tarde, troquei novamente, não deu certo, mudei outra vez e, hoje, estou com uma analista cujo trabalho admiro muito.
O que quero dizer com tudo isso é que você só vai descobrir se a análise faz sentido para você quando experimentar.
Durante esse processo, observe como você se sente nas sessões. Se algo incomodar, fale sobre isso. Veja se você se sente livre para se expressar, se consegue construir confiança e se percebe que aquele espaço faz sentido para você.
É preciso dar tempo para que esse vínculo aconteça. É preciso experimentar, pensar, repensar, observar como você sai das sessões e como esse processo vai repercutindo na sua vida.
Se na vida não existem garantias, na análise também não.
Mas, às vezes, é preciso analisar até a própria análise para descobrir se ela é o caminho certo para você.
P.S.: Para mim, a análise faz sentido para quem está disposto a se questionar, pensar sobre si, estranhar aquilo que parecia óbvio e se implicar na própria história.
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Pensando em começar uma análise?
Meu trabalho clínico é realizado online e voltado principalmente para mulheres. Atendo questões relacionadas a relacionamentos, autoestima, dependência emocional, identidade, conflitos familiares e repetição de padrões.
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